quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ser diferente é ser contorcionista

A vida toda me pediram que eu mudasse. Quando eu era bem pequena e dançava, tinha uma menina que sussurrava pra mim "sua louca", durante o ensaio da coreografia. Eu ficava quieta e aceitava. Contava as histórias para os outros e eles achavam que eu devia ser menos agitada, que o meu comportamento era de uma criança "hiperativa".
Cresci e fui para a escola, e, mesmo que muitos colegas gostassem da minha companhia, os comentários eram os mesmos. Eu era a louquinha da turma, a saliente. Se eu tivesse que resumir a minha vida social em uma frase, seria "Tu é meio louquinha mas eu gosto de ti". Sempre assim.
Eu fazia amigos e eles sempre foram pessoas que gostavam muito de mim, eu sentia isso. Mas quando estávamos acompanhados, eu era jogada para baixo como se fosse uma aberração. Aqueles que se diziam amigos demonstravam surpresa com o meu já conhecido jeito de ser, para não passar vergonha ao lado dos outros.
Minha rotina é me despir de quem eu sou para me encaixar nos círculos sociais dos quais eu participo. Sempre foi assim. Meus gostos são estranhos, o que eu falo, o modo como falo, como mexo os braços e as mãos, como penso. Tudo isso é estranho. E mesmo estando em um lugar em que as pessoas possuem os mesmos gostos que eu, ainda não me sinto pertencente. Porque sempre sou a louca do grupo.
Eu sou sozinha. Não conheço um ser nessa terra que entenda e viva o que eu vivo.
Eu devia morar em outro planeta. É difícil ser diferente.
As pessoas te humilham, te isolam, te rotulam, te julgam e ainda exigem que tu se encaixe para que possa pertencer.
Meu sonho de toda a vida é ser vista como uma pessoa normal, sem ressalvas, sem "mas tu é meio louquinha", "mas tu é muito espontânea", "mas tu é muito agitada".

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